OS PERIGOS DA TECNOLOGIA NUMA GERAÇÃO DE ADOLESCENTES FRAGILIZADOS

Não há fase mais conturbada na vida de um ser humano que a adolescência. Adolescer vem do latim e significa crescer, atingir a maturidade. Diversas mudanças acontecem no adolescente, que atingem não só o corpo,como também as emoções e o seu papel social e afetam pais e irmãos, que não sabem como lidar com as transformações bruscas de comportamento, típicas dessa fase.


A falta de diálogo nas famílias é um problema antigo, mas vem a se agravar pela intensidade com que a tecnologia e as redes sociais e a internet em si, entram dentro das casas com tanta voracidade. Minando o pouco tempo que as famílias ainda conseguem usufruir juntos.

As relações interpessoais estão cada vez mais fracassadas. Os jovens e até as crianças têm dificuldade para conversar, para se relacionar com o outro. O toque, a brincadeira com os pés descalços, o desafio de subir em árvores, de empinar pipa, pular corda, fazem parte do passado.

Além da falta de conversa, instrução e disciplina, o acesso irrestrito de crianças cada vez mais novas a conteúdos inadequados sem a inteligência emocional necessária, os transformam em vítimas deles mesmos.

Muitas vezes, nós pais, ligamos o piloto automático e nos deixamos levar pelo modismo sem muita reflexão e damos a aqueles que mais amamos uma arma contra sua inocência. O acesso ilimitado à internet abre as portas aos nossos filhos de um mundo de informações, muitas boas, úteis, informativas, cheias de conhecimento que até melhoram a atividade cognitiva  dos jovens, mas neste mesmo espaço de informações, existem muitos jogos violentos, com conteúdos bizarros, cheios de pornografias e deturpações.


Os pais, acostumados a calar os filhos com jogos, programas televisivos e vídeos do Youtube, estão perdendo o grande e poderoso privilégio de ensinar aos seus pequenos as suas brincadeiras, as suas impressões, a sua forma de se relacionar com o mundo, com as coisas, com as pessoas. Precisamos reaprender a fazer coisas simples. Afinal, que geração estamos criando? Em sua grande maioria, crianças e jovens egocêntricos, com pensamento acelerado, incapazes de se conter e com dificuldades de respeitar autoridades.

Será que estamos mesmo no caminho aceitável da cidadania?
Muitos de nós na verdade, estamos ensinando aos nossos filhos a terem seus desejos realizados no tempo que eles querem. Uma geração de desejos “online” que não compreendem o valor da espera.

Será que empatia e respeito ao outro é coisa do passado? Não nos causa espanto que jovens e até crianças, fragilizados pelas estruturas de cristais de famílias que são tão frágeis quanto, estejam morrendo, praticando suicídios, automutilação e adoecendo a alma, por não conseguirem filtrar o que não serve para a sua vida, até porque não estão preparados para isso. São jovens de uma geração de “mimados”, fragilizados, adoecidos, presos as investidas da mídia e das más escolhas. Incapazes de dizer “não” ao que faz mal, opositores e muitas vezes reféns manipuláveis de sistemas e de pessoas de má fé. É realmente um triste cenário!

Parem tudo, queridos pais. Deem meia volta! Assumam o controle! Vocês são referências na vida dessas crianças, desses jovens. Ensine-os a comer, a falar, a não engolir “ modas fúteis”, jogos insanos e pessoas perversas direcionando suas vidas.

Deem a elas a oportunidade de se frustrar com os erros e encontrar alternativas interessantes diante dos problemas! Isso, meus queridos, eles não vão achar na internet. Eles vão precisar, sim, de ouvidos atentos, de disponibilidade para se fazer presente, e de pais e mães que alinham, disciplinam e corrigem a caminhada, por compreender que amar é se importar, é cuidar, e aprender durante a caminhada.

Eles são nossos! E isso é uma bênção! 
A saída para esta geração não está nas escolhas digitais. Elas são muito úteis ,mas não são essenciais. Na verdade, a solução está em relacionamento de amor dentro e fora de casa. Que essa certeza nos inspire, nos encoraje. Quem ama, cuida! E cuidado, é um presente tão poderoso que com certeza se tornará um antídoto para blindá-los das “loucuras” desse mundo perverso, doente e, por vezes, tão insensível.
Eu já dei meia volta, e você?


Vale a reflexão:
“A arte de viver em um mundo ultrassaturado ainda deve ser apreendida, assim como a arte mais difícil de educar o ser humano neste novo modo de viver.”
Zygmund Bauman
Texto escrito por Valkia Chitunda

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